As eleições para a Assembleia da República terminaram. Como sempre, comentadores e analistas desdobram-se em esforços para descobrir os vencedores e os derrotados da noite eleitoral. Vamos por partes: o PS foi o partido mais votado nestas eleições. Vai formar governo com uma maioria relativa, procurando provavelmente acordos pontuais com outros partidos na aprovação de importantes diplomas e reformas. No entanto, é claramente uma vitória agridoce, ensombrada não tanto pela publicitada perda da maioria absoluta referida por muitos, mas por uma perda de cerca de 500 mil eleitores, de 24 deputados e de 8,5% dos votos em comparação com 2005. Nesta medida, os votos que se deslocaram para os mais variados quadrantes demonstram um claro sinal a Sócrates. E desta vez, a vitória não me parece tanto de Sócrates, visto ser claramente uma derrota do PSD e principalmente da sua fraca líder Manuela Ferreira Leite. Apesar do PSD até ter subido em deputados (6), votos (sete mil) e percentagem (0,4%), perdeu a possibilidade de governar numa campanha desastrosa que demonstra a notória inabilidade política da ex-ministra das Finanças. Pior só Vital Moreira provavelmente. O PSD não conseguiu capitalizar a perda de votos do PS, e ainda por cima deixou-os escapulir por entre os dedos direitinho para as mãos de Paulo Portas, um populista bacoco que por entre feiras e promessas demonstra ser de facto um dos políticos mais habilidosos do nosso país, e isso é claramente preocupante. O CDS terá sido certamente o grande vencedor da noite não por ficar em 3ro lugar, já que no campeonato eleitoral a disposição pouco ou nada interessa, mas porque nesta distribuição de deputados consegue ter os suficientes para fazer maioria com o PS. E isso dá-lhe poder. Muito poder. O Bloco de esquerda sobe como se esperava, embora não tanto como idealizado desde as eleições europeias. Com 557 mil votos (quase mais 200 mil do que em 2005), o dobro dos deputados e consegue representação em nove distritos apesar de ficar a 5 deputados do CDS, sendo que foi na diferença de deputados, e não de votos, entre o CDS e o BE que as coisas se complicaram para o Bloco. A CDU tem uma pequena vitória disfarçada de derrota por passar para 5ta força política embora esta análise, como já mencionei, nada dizer sobre os resultados. A CDU Sobe 0,6% e 14 mil votos. Elege mais um deputado. Mas o que interessa verdadeiramente é o cenário que se aproxima. Não haverá nenhum governo de coligação. Se o PS fizesse uma coligação com o CDS, alem de se partir internamente daria à esquerda (BE e CDU) mais um exército de descontentes para engordar os seus próximos resultados. O PS entra agora numa fase em que as negociações vão ser extensas e contribuirão certamente para um enriquecimento do parlamento que há muito se pedia. Não obstante, o resultado do CDS é preocupante. Já formou Governo, com os resultados que se conhecem.
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