Esta temática é para mim bastante clara. Não me parece, de todo, ao contrário do quem tem vindo a ser veiculado, que o primeiro ministro ou o Governo tivesse de facto a pretensão de utilizar o negócio da PT com o objectivo claro de afastar um "instrumento" incómodo, através da alteração da linha editorial da TVI que se seguiria após a conclusão do negócio. Sou um crítico das políticas de Direita deste primeiro-ministro, mas daí a entrar numa aparente fantasia vai ainda uma distância, principalmente quando está causa este negócio de vários milhões de euros, com acionistas e previsão de lucros pelo meio, mesmo tendo em conta o inflacionado preço que veio a público. O que me parece de relevar e sublinhar, foi a notícia veiculada pelo jornal Expresso e não desmentida pelo Governo. Como se afirma
aqui , o Governo tinha já conhecimento do negócio, algo que Sócrates negou veementemente quando questionado. Esta mentira pública do primeiro ministro (não desmentida) é algo de lamentável. Apesar de político, Sócrates tem obrigações para com o País. Se não legais, pelo menos morais.
2 comentários:
Concordo com a primeira parte, na medida em que a política da PT, enquanto empresa privada, é gizada no interesse dos seus accionistas, pelo que o seu fim último é a obtenção de lucros, surgindo a golden share do Estado como um poder de vetar decisões estratégicas e não como um poder de determinar a sua vida social. Ainda que assim fosse, o argumento daqueles que insinuaram haver o objectivo de alterar a linha editorial da TVI esmorece, já que este é um processo bastante burocrático, que carece, designadamente, de pareceres favoráveis da Alta Autoridade para a Comunicação Social e da Autoridade da Concorrência, pelo que apenas estaria concluído daqui a alguns meses. O mesmo é dizer que o alcance prático de uma pretensa alteração da linha editorial da TVI se perderia, já que apenas surtiria efeito depois das legislativas (das quais até pode resultar um governo de outro partido). A intempestiva e precipitada ligeireza com que a oposição, no seu habitual registo de bota-abaixismo, levantou estas (graves) insinuações foi, assim, contraproducente, já que deu a Sócrates a oportunidade de marcar pontos ao sair deste caso acima de qualquer suspeita. Quanto à questão de saber se o governo tinha ou não conhecimento do negócio, é preciso, antes de mais, distinguir a obrigação de conhecer, do conhecimento formal. Apenas após a verificação deste é que o governo poderia actuar, pelo que a questão de saber se já conhecia ou não é pura retórica até porque, é preciso não esquecer, "o segredo é a alma do negócio".
Sem dúvida que é no mínimo estranho a sucessão de acontecimentos que envolveram esta caso. É também óbvio que essa sessão legislativa foi penosa para o governo, que se manifestou para além deste caso, com a polémica com o ministro da agricultura. Mas sem dúvida estranho este negócio...
Enviar um comentário