O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento - John Fitzgerald Kennedy

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Artigo de Miguel Góis no jornal Record

Estive a pensar melhor e tenho que admitir que, ao contrário do que venho escrevendo nesta coluna há um ano, Carlos Queiroz e os seus correligionários provavelmente tinham razão quando falavam na "herança de Scolari" como uma das principais condicionantes do rendimento da Seleção Nacional. E é baseado neste pressuposto que gostaria de felicitar publicamente o treinador brasileiro pela qualificação de Portugal para o Mundial'2010. Penso até que, estranhamente, sou o primeiro a fazê-lo, apesar de este ser um raciocínio lógico. A não ser que se defenda que quando se perde a culpa é dos outros, e que quando se ganha o mérito é nosso. Dito isto, a boa notícia é que nem o prof. Carlos Queiroz conseguiu evitar que uma Seleção composta por inúmeros jogadores de classe mundial se qualificasse para a África do Sul - esta é, sem dúvida, a maior prova de sempre da maturidade do futebol português. Noutros tempos, as substituições duvidosas, as convocatórias excêntricas e as declarações falhadas do atual selecionador nacional custava-nos as qualificações. Agora, não. Atrasam-nos um bocadinho a qualificação, é certo. Mas, no cômputo geral, esta é uma Seleção à prova de Queiroz. E este é um dos maiores elogios que se pode fazer à equipa nacional. Ultrapassada a qualificação, permanece o problema do relacionamento da Seleção com os portugueses. Ainda no Portugal-Bósnia da semana passada, ficou patente a descrença do público da Luz nas possibilidades da Seleção em se conseguir qualificar: Numa conferência de imprensa, Carlos Queiroz tinha dito que já cheirava a África do Sul; em resposta a estas declarações, os milhares de espectadores contrapuseram com "cheira a Lisboa", a cidade a partir da qual o selecionador devia assistir aos jogos do Mundial.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para os Anti-Scolaris, não se deslumbrem

Devo dizer antes de mais, que como é evidente rejubilo-me com a presença de Portugal no Mundial da África do Sul em 2010! É óptimo que marquemos mais uma presença em mundiais (que não são muitas) e sendo Português e gostando de Futebol, nada me põe mais contente! Força Portugal! Dito isto, devo dizer que esta qualificação roçou o ridículo em certas alturas, num grupo descomplicado. Devemos aliás agradecer à Dinamarca pelo apuramento, pois a 2 jogos do fim da qualificação com Portugal em 3º lugar no grupo, fez questão de derrotar fora a Suécia por 1-0 aos 80 minutos, beneficiando Portugal que ao subir para 2º e ganhando o último jogo, permitiu a passagem aos Playoffs. Portugal nunca demonstrou ter um futebol de grande qualidade, mas pior ainda, nunca demonstrou ter uma competitividade ao nível de um campeonato do mundo. E este é um ponto interessante de se discutir. Vejo hoje e há muito tempo já, os mais acérrimos críticos de Luiz Filipe Scolari calados perante a confusão que é a Seleção nos dias que correm. A crítica de que Scolari formava um grupo, em que poucos seriam os eleitos que nele entravam, foi trocada pela ideia de uma Seleção em que qualquer jogador por pior que seja no seu global, pode entrar. A ideia de continuidade foi trocada pela ideia do momento. Os resultados, foram trocados pelas contas na velha matemática que os portugueses já tinham esquecido. Scolari, criticado imensamente pela convocação de jogadores que ou não jogavam ou não tinham clube, foi trocado por um treinador que faz o mesmo e que passa incólume na onda das críticas de alguns supostos entendidos que estão ao nível de Rui Santos. Paulo Ferreira que não é convocado no seu clube, a descoberta aos 30 anos e para o últimos 2 jogos apenas de Pedro Mendes, Nuno Assis, Edinho, César Peixoto, Fábio Coentrão ou até mesmo Hilário são alguns exemplos do delírio de Carlos Queiroz. Os que dirão: Não faz sentido a comparação entre Queiroz e Scolari. Para estes apenas refiro que foi o próprio Queiroz que deu aso à crítica comparativa quando era treinador adjunto do Manchester United, quando deliberadamente criticou as opções de Scolari, que levou a que ainda hoje o brasileiro lhe tenha fechado as portas de qualquer reconciliação. Alguns terão memória curta, não eu. Portugal tem um grupo de Bons jogadores, que aliás sempre teve nas suas mais variadas gerações! Mas nunca uma grande equipa internacional, apenas se aproximando a Seleção de Eusébio e a Seleção de Scolari. O nacionalismo exacerbado, e uma discussão inconsequente sobre Vitor Baía ditaram inimizades e argumentos a toda a prova. Pois bem, aqui estamos, expectantes de observar o que fará esta Seleção de Queiroz e dos seus pupilos Anti-Scolaris com Rui Santos na linha da frente. Sem Playoff e com apuramento directo, Scolari foi bombardeado; Queiroz a jogar mal contra uma Bósnia desconhecida é aplaudido efusivamente. Até perder.

Qual a parte da crise paga por Vital Moreira?

Vital Moreira publica no seu blogue: "Os funcionários públicos tiveram um aumento real de remunerações de cerca de 5% no corrente ano (o que deve ser um record nacional), mercê da imprudente aumento de 3% e da deflação de quase 2% no custo de vida. Agora querem mais 2,5%, com a inerente sobrecarga orçamental. Tendo em conta o aumento exponencial do défice orçamental (que deve superar os 7%), por causa da crise, e a necessidade de contenção da despesa pública, é caso para dizer que os sindicatos da função pública acham que os seus interesses privativos devem prevalecer contra tudo o resto..." intitulado de "Os outros que paguem a crise". Concerteza que os funcionários públicos que obtiveram um congelamento dos seus salários nos últimos anos se sentem ,no meio desta "gentalha", uns privilegiados obscuros que tem o despudor e a afronta de se acharem no direito de um aumento do subsídio de alimentação para seis euros, em vez dos actuais 4,27 euros diários ou do alargamento da ADSE a todos os trabalhadores ou até mesmo que seja instituído “um seguro de acidentes de trabalho para todos os trabalhadores”! Devo dizer, aliás, que o que se recebe do parlamento europeu e as legislações que o Governo prontamente e a peso de ouro requisitam a alguns coitados são bem mais justas e de acordo com um "aumento real". Aliás, qual doutor não lutará pelos seus direitos... no mínimo legislará sobre os mesmos.

domingo, 8 de novembro de 2009

Abortar o Referendo

A Constituição da República dispõe no seu artigo 115º nº 3 que "O referendo só pode ter por objecto questões de relevante interesse nacional". Neste contexto, devo dizer que as pessoas que querem referendar o casamento civil das pessoas do mesmo sexo, são exactamente as mesmas pessoas que sempre consideraram que era este um tema sem nenhuma importância, sobre o qual nem se devia legislar. As motivações são outras. Fazer um referendo sobre este tema é um erro. Uma clara maioria não pode nem deve tomar decisões prioritárias acerca da vida de pessoas que constituem uma minoria. Seria uma aberração e provavelmente inconstitucional.

domingo, 1 de novembro de 2009

Tudo aquilo que muita gente pensa e não diz by http://joshuaquim7.blogspot.com

Esta é uma vitória do silencioso e humilde Domingos e uma derrota do recente Jesus, insuportavelmente vaidoso, que a pouco e pouco foi surdindo, de altivez em altivez, de petulância em petulância. Sem qualquer necessidade. Aflorou demasiadamente um Jesus diabólico nas ganas, em tons de novo-riquismo futebolístico e tiques doutorais nas conferências de imprensa como grande iluminado em nirvana técnico-táctico. Um Jesus ufano e inchado à medida das vitórias esmagadoras e muitas vezes inflacionadas do seu Benfica, afinal de carne e osso, como se pode ver. É nobre baixar a crista e ser humilde antes que a queda ocorra, ainda que a realidade predominante para nós seja um tapete púrpura estendido à nossa passagem incontestada. Jesus tem sido pouco Jesus, o Messias, e mais humano e cadente nas tentações do seu deserto: «Se te prostrares diante de mim e me adorares, tudo isto será teu.». É preciso mortificar o Orgulho, abraçar a Cruz, compreender a grandeza de vencer sem precisar de vexar. Glória vã a de trucidar por palavras prévias e posteriores os adversários, em vez de os trucidar exclusivamente por golos e futebol convincente. Eis um dia de festa para todos os anti-Jesus, já agora também eles fracos e equivocados no extremismo da rejeição ao notável treinador. Nada contra um Benfica de bom futebol actual e menos ainda contra o excelente trabalho do seu treinador. Tudo contra a grunhice no processo celebrativo de alguns totalitários do benfiquismo, Jesus incluído.